HUNTINGTON BEACH, Califórnia / EUA (Terça-feira, 2 de agosto) – O peruano Lucca Mesinas e o brasileiro Willian Cardoso são os dois primeiros sul-americanos a passar para as oitavas de final do Vans US Open of Surfing na Califórnia, Estados Unidos. Eles ganharam as baterias que fecharam a terça-feira de mar desafiador em Huntington Beach, com ondas pesadas de 5 a 7 pés e correnteza forte o dia todo para testar o preparo físico dos competidores. Mais quatro brasileiros ainda podem se classificar na segunda metade da terceira fase, que ficou para abrir a quarta-feira, às 7h30 na Califórnia, 11h30 no Brasil, ao vivo pelo WorldSurfLeague.com.

O catarinense Alejo Muniz já largou a última posição no grupo dos 10 surfistas que o ranking do World Surf League (WSL) Challenger Series indicará para o Championship Tour 2023. Ele vai entrar na primeira bateria do dia defendendo o sexto lugar na lista, contra o havaiano Ian Gentil e um concorrente direto, o californiano Nolan Rapoza. Na segunda, tem Jadson André já garantido na seleção brasileira de 2023 e na seguinte serão João Chianca e Edgard Groggia disputando duas vagas para as oitavas de final com o japonês Taichi Wakita.

Os primeiros classificados da América do Sul começaram a terça-feira competindo juntos na quinta bateria do dia. O peruano Lucca Mesinas pegou a melhor onda, com a esquerda abrindo a parede para fazer três manobras de backside, atravessando até as pilastras do píer de Huntington Beach. A nota 6,77 recebida confirmou a vitória e Willian Cardoso avançou em segundo lugar, eliminando outro brasileiro, Eduardo Motta, e o americano Michael Dunphy.

Lucca Mesinas (Foto: Kenny Morris/World Surf League)

Lucca Mesinas também achou boas ondas para vencer o penúltimo confronto do dia, com a força do seu backside nas esquerdas de Huntington Beach. Por 11,60 pontos, derrotou o norte-americano Eithan Osborne e o francês Tristan Guilbaud. Lucca foi o primeiro peruano a fazer parte da elite masculina dos melhores surfistas do mundo, mas só participou de metade da temporada, perdendo sua vaga no novo corte implantado pela WSL esse ano.

“Assim que eu saí do CT, meu primeiro pensamento foi que eu queria voltar. Aí fiquei fixado nisso, pensando demais e comecei o Challenger Series com resultados ruins na Austrália”, destacou Lucca Mesinas“Depois da etapa da África do Sul em Ballito, decidi que teria que ficar mais relaxado, esquecer do CT e só tentar surfar bem. Então, estou muito feliz por ter vencido as duas baterias hoje nesse mar difícil. Huntington é como uma segunda casa para mim, gosto dessas ondas, tenho família que mora aqui, muitos amigos e está sendo bem divertido”.

O peruano vai disputar o terceiro duelo das oitavas de final com o norte-americano Cole Houshmand, que se classificou na bateria vencida pelo brasileiro Willian Cardoso. O catarinense fez uma boa escolha de ondas e liderou desde a primeira que surfou, com a força do seu backside nas esquerdas de Huntington Beach. Willian já foi finalista do US Open of Surfing em 2014, sendo vice-campeão na decisão brasileira com Filipe Toledo. Ele voltou a mostrar as suas tradicionais “patadas do panda”, para somar notas 6,57 e 6,33 na vitória por 12,90 pontos, contra 11,20 do Cole Houshmand e 9,40 do sul-africano Shane Sykes.

Willian Cardoso (Foto: Kenny Morris/World Surf League)

“Eu tenho grandes memórias daqui, fiz a final em 2014 com o Filipe Toledo, mas nunca tinha competido em condições tão grandes como essas de hoje”, disse Willian Cardoso“Você tem que ficar remando o tempo todo, surfar, depois correr na praia até o canal, parece um triátlon (risos). Já planejei que, talvez, esse seja meu último ano no Circuito Mundial. Claro que se me classificar pro CT, eu vou continuar. Mas, provavelmente, o Challenger de Saquarema e de Haleiwa, podem ser meus últimos eventos. Então, quero aproveitar ao máximo cada momento, como esses de hoje aqui”.

Willian Cardoso chegou na Califórnia em 58.o no ranking e fechou o dia na 32.a posição. Seu próximo adversário é o norte-americano Eithan Osborne, que subiu de 40 para 21. Esta rodada classificatória para as oitavas de final, começou com outro catarinense perdendo no último minuto. Mateus Herdy enfrentou dois havaianos que entraram no CT este ano e saíram no corte do meio da temporada. Imaikalani Devault fez os recordes do Vans US Open, com aéreos e manobrando forte para atingir 15,74 pontos, com notas 8,17 e 7,57.

Mateus Herdy (Foto: Beatriz Ryder/World Surf League)

VAGAS NO G-10 – Mateus já havia subido da penúltima para a quarta posição no G-10, quando passou a sua primeira bateria na terça-feira, pela segunda fase. Com a vitória, Imaikalani entrou na zona de classificação, tirando outro brasileiro da lista, o contundido Michael Rodrigues, que não foi competir na Califórnia. Mateus estava passando em segundo até o último minuto, quando Ezekiel Lau surfou uma onda precisando de 5,35 e conseguiu 5,57. Com essa nota, o havaiano superou o catarinense por 11,90 a 11,67 pontos.

Com a eliminação, Mateus Herdy perdeu o quarto lugar no G-10 para Imaikalani Devault e Ezekiel já saltou da 27.a para a 15.a colocação no ranking, podendo entrar na lista se passar pelo australiano Chris Zaffis nas oitavas de final. Quem também se aproximou da zona de classificação para o CT 2023, foram o marroquino Ramzi Boukhiam já batendo na porta do G-10 e o americano Nolan Rapoza, que é o terceiro na fila de entrada.

Alejo Muniz (Foto: Kenny Morris/World Surf League)

Nolan Rapoza é um dos adversários do brasileiro Alejo Muniz na bateria que vai abrir a quarta-feira em Huntington Beach. O catarinense era o último do G-10, mas ultrapassou três surfistas quando passou para a terceira fase do Vans US Open. Agora, os mais ameaçados de sair da lista são o australiano Sheldon Simkus e os franceses Gatien Delahaye e Maxime Huscenot. Se o Alejo passar para as oitavas de final, já sobe para o terceiro lugar no ranking.

GARANTIDO EM 2023 – Enquanto muitos estão na pressão por resultados para entrar no CT, um top já garantido na elite de 2023, conquistou a primeira vitória verde-amarela no mar pesado da terça-feira em Huntington Beach. O potiguar Jadson André ganhou a bateria da segunda fase com participação tripla do Brasil, com o norte-americano Nolan Rapoza barrando Matheus Navarro e Ian Gouveia na disputa pela segunda vaga.

“Quando você vem para Huntington Beach, nunca imagina que vai surfar ondas grandes e fechadeiras enormes, como as de hoje aqui”, ressaltou Jadson André“Para ter uma ideia, as ondas estão tão fortes, que eu usei uma prancha que surfei em Jeffreys Bay (na África do Sul). O mar está bem difícil e você precisa de sorte para estar no lugar certo. Tem muita correnteza, então é praticamente impossível se posicionar bem lá dentro. Eu tive a sorte de estar no lugar certo e no momento certo para pegar as ondas com a prancha certa (risos)”.

Jadson André (Foto: Beatriz Ryder/World Surf League)

Depois de Jadson André conseguir a primeira vitória brasileira, a segunda já veio na disputa seguinte, com outro surfista que começou a temporada no CT, mas acabou saindo no novo corte da elite implantado esse ano. João Chianca se destacou com grandes apresentações, mas em baterias contra o bicampeão mundial John John Florence, que foi melhor ainda. Ele agora tenta recuperar a vaga perdida e precisa de bons resultados para entrar na briga pelas primeiras posições do Challenger Series.

Chumbinho não foi bem nas três primeiras etapas e chegou nos Estados Unidos na 62.a colocação no ranking. Com a classificação para a terceira fase, já subiu para o 47.o lugar, mas para entrar no G-10, tem que chegar na grande final do Vans US Open of Surfing. Ele teve que mostrar um bom preparo físico na terça-feira, para remar sem parar na correnteza forte de Huntington, surfar e depois correr pela areia até o canal. A vitória foi conquistada na última onda que surfou, que valeu 7,17 para totalizar 11,14 pontos, contra 10,63 do australiano Jacob Willcox, 10,10 do francês Joan Duru e 10,00 de outro australiano, Jordan Lawler.

“Acho que essa foi uma das baterias mais difíceis que eu já disputei”, disse João Chianca“Tive que trabalhar bastante, porque as ondas estão muito fortes e a correnteza também. E, ainda ter que correr na areia após cada onda, é muito louco. Pelo menos, estou tendo o suporte da minha namorada (a surfista Summer Macedo) e do meu técnico. A melhor dica que recebi, foi pra tentar fazer uma manobra grande lá fora, perto do píer. E foi assim que eu consegui a vitória”.

João Chianca (Foto: Beatriz Ryder/World Surf League)

BARRANDO FAVORITOS – Outro brasileiro brilhou na bateria que fechou a segunda fase, se classificando em um dos confrontos mais difíceis do dia. Nele estavam dois surfistas que estavam no CT até o corte da elite no meio da temporada e mais um que está na briga direta pelas vagas do WSL Challenger Series. Foi outra disputa definida por décimos de diferença e Edgard Groggia conseguiu a última vaga para a terceira fase do Vans US Open of Surfing, eliminando os dois ex-tops do CT.

O vencedor foi o marroquino Ramzi Boukhiam, que totalizou 10,84 pontos nas duas notas. O brasileiro ficou em segundo lugar com 10,64, contra 10,46 do vice-líder no ranking do WSL Challenger Series, o italiano Leonardo Fioravanti. O australiano Morgan Cibilic, que foi um dos top-5 da decisão do título mundial na estreia do Rip Curl WSL Finals em 2021 e estava em 11.o lugar na lista de acesso para o CT 2023, ficou em último com 9,74 pontos.

Edgard Groggia (Foto: Beatriz Ryder/World Surf League)

PRÓXIMAS BATERIAS DO VANS US OPEN OF SURFING:

TERCEIRA FASE – 1.o e 2.o=Oitavas de Final / 3.o=17.o lugar (US$ 2.000 e 1.900 pts):
——–realizada até a 4.a bateria na terça-feira
5.a: Alejo Muniz (BRA), Nolan Rapoza (EUA), Ian Gentil (HAV)
6.a: Jadson André (BRA), Evan Geiselman (EUA), Joel Vaughan (AUS)
7.a: João Chianca (BRA), Edgard Groggia (BRA), Taichi Wakita (JPN)
8.a: Ryan Callinan (AUS), Ramzi Boukhiam (MAR), Jacob Willcox (AUS)

OITAVAS DE FINAL – baterias já formadas:
——Derrota=9.o lugar com US$ 2.750 e 3.320 pontos
1.a: Imaikalani Devault (HAV) x Liam O´Brien (AUS)
2.a: Ezekiel Lau (HAV) x Chris Zaffis (AUS)
3.a: Lucca Mesinas (PER) x Cole Houshmand (EUA)
4.a: Willian Cardoso (BRA) x Eithan Osborne (EUA)

OITAVAS DE FINAL FEMININAS – 9.o lugar (US$ 2.750 e 3.320 pts):
1.a: Amuro Tsuzuki (JPN) x Minami Nonaka (JPN)
2.a: Macy Callaghan (AUS) x Philippa Anderson (AUS)
3.a: Molly Picklum (AUS) x Bella Kenworthy (EUA)
4.a: Caroline Marks (EUA) x Leilani McGonagle (CRI)
5.a: Bronte Macaulay (AUS) x Sage Erickson (EUA)
6.a: Bettylou Sakura Johnson (HAV) x Sawyer Lindblad (EUA)
7.a: Sophie McCulloch (AUS) x Vahine Fierro (FRA)
8.a: Caitlin Simmers (EUA) x Nadia Erostarbe (ESP)

RESULTADOS DA TERÇA-FEIRA EM HUNTINGTON BEACH:

TERCEIRA FASE – 1.o e 2.o=Oitavas de Final / 3.o=17.o lugar (US$ 2.000 e 1.900 pts):
——–baterias que fecharam a terça-feira
1.a: 1-Imaikalani Devault (HAV)=15.74, 2-Ezekiel Lau (HAV)=11.90, 3-Mateus Herdy (BRA)=11.67
2.a: 1-Chris Zaffis (AUS)=11.84, 2-Liam O´Brien (AUS)=10.00, 3-Jessé Mendes (ITA)=6.90
3.a: 1-Lucca Mesinas (PER)=11.60, 2-Eithan Osborne (EUA)=10.50, 3-Tristan Guilbaud (FRA)=10.33
4.a: 1-Willian Cardoso (BRA)=12.90, 2-Cole Houshmand (EUA)=11.20, 3-Shane Sykes (AFR)=9.40

SEGUNDA FASE – 3.o=25.o lugar (US$ 1.500 e 750 pts) e 4.o=37.o lugar (US$ 1.000 e 650 pts):
——–baterias que abriram a terça-feira
01: 1-Imaikalani Devault (HAV), 2-Jessé Mendes (ITA), 3-Gatien Delahaye (FRA), Te Kehukehu Butler (NZL)
02: 1-Chris Zaffis (AUS), 2-Ezekiel Lau (HAV), 3-Kolohe Andino (EUA), 4-Kei Kobayashi (EUA)
03: 1-Liam O´Brien (AUS), 2-Mateus Herdy (BRA), 3-Jake Marshall (EUA), 4-Levi Slawson (EUA)
05: 1-Lucca Mesinas (BRA), 2-Willian Cardoso (BRA), 3-Eduardo Motta (BRA), 4-Michael Dunphy (EUA)
06: 1-Cole Houshmand (EUA), 2-Tristan Guilbaud (FRA), 3-Kanoa Igarashi (JPN), 4-Kyuss King (AUS)
07: 1-Ian Gentil (HAV), 2-Evan Geiselman (EUA), 3-Mihimana Braye (TAH), 4-Thiago Camarão (BRA)
08: 1-Joel Vaughan (AUS), 2-Alejo Muniz (BRA), 3-Shun Murakami (JPN), 4-Keanu Kamiyama (JPN)
09: 1-Jadson André (BRA), 2-Nolan Rapoza (EUA), 3-Matheus Navarro (BRA), 4-Ian Gouveia (BRA)
10: 1-João Chianca (BRA), 2-Jacob Willcox (AUS), 3-Joan Duru (FRA), 4-Jordan Lawler (AUS)
11: 1-Taichi Wakita (JPN), 2-Ryan Callinan (AUS), 3-Julian Wilson (AUS), 4-Cody Young (HAV)
12: 1-Ramzi Boukhiam (MAR), 2-Edgard Groggia (BRA), 3-Leonardo Fioravanti (ITA), 4-Morgan Cibilic (AUS)

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João Carvalho – WSL Latin America Media Manager – jcarvalho@worldsurfleague.com

Gabriel Gontijo – WSL Latin America Communications – ggontijo@worldsurfleague.com


SOBRE A WSL: A World Surf League (WSL) promove as principais competições de surfe no planeta, coroando os campeões mundiais desde 1976, com os melhores surfistas do mundo se apresentando nas melhores ondas do mundo. A WSL é composta por uma divisão de Circuitos e Competições, que supervisiona e opera mais de 180 eventos globais a cada ano; pela WSL WaveCo, que produz as melhores ondas artificiais de alta performance; e pela WSL Studios, com produções independentes de conteúdos e projetos com e sem roteiros.

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